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  • Ciclo de vida do mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum)

    O mofo-branco é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum e pode afetar diversas culturas de importância agrícola no Brasil, como soja, feijão, algodão e girassol. Em condições favoráveis, pode provocar perdas significativas de produtividade. O patógeno se desenvolve principalmente em ambientes com alta umidade e temperaturas amenas, formando estruturas de sobrevivência chamadas escleródios, que podem permanecer viáveis no solo por vários anos. Essas estruturas permitem que o fungo sobreviva entre safras e volte a infectar novas culturas. Os sintomas incluem murcha, podridão nos caules e presença de micélio branco, frequentemente acompanhados da formação de escleródios escuros semelhantes a pequenos grãos. Saiba mais sobre o manejo da resistência aos fungicidas em nosso site!

  • Pressão de seleção: um conceito chave

    A pressão de seleção é um processo evolutivo que ocorre quando fatores ambientais favorecem indivíduos com determinadas características genéticas dentro de uma população. No caso dos fungos fitopatogênicos, o uso consecutivo de fungicidas com o mesmo modo de ação pode eliminar os indivíduos suscetíveis, permitindo que aqueles naturalmente resistentes sobrevivam e reproduzam. Com o tempo, esses indivíduos passam a representar uma parcela maior da população do patógeno, o que pode resultar na redução da sensibilidade aos fungicidas e comprometer a eficiência do controle no campo. Para reduzir a pressão de seleção, é importante adotar estratégias como rotação de modos de ação, manejo integrado de doenças e aplicações no momento adequado.

  • Janela de aplicação

    A janela de aplicação de fungicidas é uma estratégia fundamental no manejo da resistência, pois organiza o uso dos produtos ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a pressão de seleção sobre os patógenos. O princípio da janela de aplicação consiste em limitar o número de aplicações consecutivas de fungicidas com o mesmo modo de ação, concentrando seu uso em períodos específicos da cultura. Essa prática auxilia na redução da exposição repetida do patógeno a um único grupo ou produto, retardando a seleção de indivíduos resistentes. A adoção correta da janela de aplicação deve considerar: • O estágio fenológico da cultura; • A epidemiologia da doença; • O risco de resistência do patógeno; • A alternância entre fungicidas de diferentes modos de ação. Essa e outras ferramentas para o manejo da resistência você encontra em nosso site.

  • Fatores relacionados à epidemiologia da doença

    O risco de desenvolvimento de resistência a fungicidas resulta da combinação entre fatores epidemiológicos, práticas de manejo e características genéticas dos patógenos. Entre os principais fatores associados ao risco do patógeno, destacam-se: • Ciclo de vida do patógeno: quanto menor o tempo de geração, maior a frequência de exposição ao fungicida e mais rápido o desenvolvimento de resistência. • ​​Abundância de esporulação: quanto maior produção de esporos, maior a probabilidade de mutações e a seleção de indivíduos resistentes. • Disseminação dos esporos: a capacidade de dispersão dos esporos entre plantas, culturas e regiões acelera a propagação da resistência. • Capacidade de infecção: patógenos que infectam em diferentes estádios da cultura demandam aplicações repetidas de fungicidas. • Estágio sexual no ciclo de vida: pode favorecer ou limitar a recombinação genética associada à resistência. • Capacidade de adaptação genética e/ou metabólica: mutações, superexpressão gênica, variações genéticas, diploidia, estrutura gênica, efluxo de fungicidas e e destoxificação influenciam a adaptação do patógeno. Compreender esses fatores é essencial para avaliar o risco de resistência e definir estratégias eficazes de manejo. Para mais informações sobre o manejo da resistência aos fungicidas, confira nosso site!

  • Ferrugem-asiática da soja

    A ferrugem-asiática da soja é causada por Phakopsora pachyrhizi, fungo biotrófico que depende de células vivas do hospedeiro para se multiplicar. No Brasil, a doença foi detectada em 2001 e rapidamente se disseminou pelas regiões produtoras, favorecida pela dispersão de esporos pelo vento e pela presença contínua de plantas hospedeiras. O vazio sanitário da soja é uma medida fundamental para redução do patógeno na entressafra diminuir a fonte de inóculo para a safra seguinte. Os sintomas iniciam-se, geralmente, no terço inferior da planta, manifestando-se como pequenas pontuações escuras nas folhas, que evoluem para amarelecimento, desfolha precoce e redução no enchimento de grãos. A infecção depende de um período mínimo de seis horas de molhamento foliar e de temperaturas entre 15 °C e 25 °C. Chuvas frequentes associadas ao dossel fechado criam um microclima favorável ao desenvolvimento de epidemias.

  • O que é resistência cruzada?

    A resistência cruzada ocorre quando uma população de patógenos resistente a um fungicida também passa a apresentar resistência a outros fungicidas que possuem o mesmo modo de ação ou que são afetados pela mesma mutação gênica. Em geral, esse fenômeno ocorre porque esses fungicidas compartilham o mesmo sítio-alvo bioquímico ou atuam sobre o mesmo processo metabólico do patógeno. Assim, mesmo sendo moléculas diferentes, o mecanismo de ação é semelhante. Fungicidas de sítio específico, que atuam em um único alvo, apresentam maior risco de seleção de resistência. Por outro lado, fungicidas multissítio tendem a apresentar menor risco. Por isso, conhecer o modo de ação dos fungicidas é essencial para o manejo da resistência e para a preservação de sua eficácia. A principal estratégia de prevenção envolve a rotação de modos de ação e o uso de fungicidas multissítios. Acesse nosso site e confira a classificação dos fungicidas de acordo com o modo de ação e grupo químico!

  • A classificação dos fungicidas

    Você sabia que fungicidas diferentes agem de formas distintas no fungo? Esses modos de ação são essenciais para planejar estratégias de manejo de resistência. Alguns pontos importantes: • Dentro de cada modo de ação existem sítios-alvo específicos, como enzimas nas vias metabólicas fúngicas. • Já fungicidas com diferentes modos de ação podem ser usados em rotação ou mistura estratégica, o que ajuda a reduzir a pressão de seleção sobre uma única classe química. O FRAC-BR disponibiliza em seu site uma ferramenta essencial para o manejo da resistência: a classificação completa dos fungicidas. Nessa página, é possível consultar os modos de ação, entender como cada grupo químico atua no patógeno, possibilitando a identificação correta da categoria dos produtos utilizados no campo. Consulte a lista completa dos fungicidas e sua respectiva classificação no site do FRAC-BR e planeje seu programa de fungicidas de forma eficiente!

  • Diversidade química

    A disponibilidade de diferentes grupos químicos e mecanismos de ação para o controle de doenças em culturas é essencial para uma agricultura mais sustentável e eficiente, pois reduz a pressão de seleção exercida sobre o patógeno, diminuindo o risco de evolução da resistência. Por isso, a diversidade química é um dos pilares do manejo da resistência. A adoção de diferentes modos de ação, múltiplos sítios de atuação e a manutenção de variadas classes químicas ampliam as estratégias de controle e reduzem o risco de perda de eficiência ao longo do tempo, principalmente quando associada a diferentes ferramentas de controle. Preservar e ampliar a diversidade de fungicidas é fundamental para sustentar o controle das doenças fúngicas e garantir a produtividade em campo. FRAC-BR promovendo o uso responsável de fungicidas e o manejo da resistência.

  • O estabelecimento da resistência em populações de patógenos

    Quando um fungicida é aplicado, inicia-se um processo de seleção: os indivíduos sensíveis são eliminados, enquanto os mutantes resistentes têm maior chance de sobreviver e se multiplicar. Com aplicações repetidas, populações resistentes podem crescer até atingir níveis detectáveis, levando a falhas de controle. A resistência aos fungicidas é, por natureza, hereditária. Ela se estabelece a partir de alterações genéticas que já podem existir dentro da população do patógeno, mesmo antes de qualquer aplicação do fungicida no campo. Essas mutações espontâneas, normalmente não trazem vantagem e muitas vezes até reduzem a adaptação do indivíduo, permanecendo quase indetectáveis. Compreender esses mecanismos é essencial para avaliar riscos e definir estratégias de manejo eficazes.

  • Risco de patógenos

    De forma geral, o risco de um patógeno desenvolver resistência tende a ser maior quando: • Apresenta múltiplos ciclos curtos de doença por safra; • Possui alta dispersão de esporos no tempo e no espaço; • Depende de recombinação sexual obrigatória em seu ciclo; • Mantém alta capacidade competitiva, mesmo na ausência da pressão de fungicidas; • Desenvolve resistência em poucos anos de uso do produto. É importante destacar que a simples detecção de isolados com sensibilidade reduzida não caracteriza, por si só, um problema no controle fúngico em campo. O impacto real no desempenho do fungicida depende da frequência desses isolados ao longo do tempo e espaço. Por isso, o FRAC considera o risco patogênico médio a alto apenas quando a resistência é confirmada em situações comerciais para mais de uma classe fungicida. Compreender o risco associado a cada patógeno é essencial para definir estratégias eficazes de manejo da resistência. Veja a tabela com a classificação de risco combinado de resistência, baseada no risco inerente do fungicida e do patógeno. Em nosso site estão disponíveis diversos materiais técnicos sobre o tema. Confira !

  • Manejo da resistência aos fungicidas: atenção à dose!

    Manter a dosagem recomendada pelo fabricante é fundamental, pois: • Garante o desempenho esperado do fungicida em diferentes condições; • Preserva a margem de segurança da aplicação; • Reduz o risco de seleção de populações resistentes, especialmente aquelas com níveis iniciais de resistência que podem evoluir ao longo do tempo. Embora a relação entre dose e resistência possa variar conforme o fungicida e o patógeno, evidências teóricas e experimentais indicam que a redução de dose são práticas inadequadas que podem favorecer a sobrevivência de organismos resistentes, comprometendo a eficácia e vida útil da tecnologia. Sendo assim, a redução da dose de fungicidas não deve ser adotada. O uso responsável de fungicidas, respeitando dose, intervalo e recomendações técnicas, é um pilar essencial do manejo da resistência aos fungicidas. Siga as orientações de rótulo e bula! Saiba mais sobre o assunto em: frac-br.org

  • Baseline: um pilar para o manejo da resistência aos fungicidas

    O baseline descreve a sensibilidade de um grupo de isolados a um determinado fungicida ao qual eles não haviam sido previamente expostos. É um passo essencial para entender como uma população patogênica responde a novos ingredientes ativos. Esse processo técnico permite estabelecer parâmetros confiáveis para avaliar mudanças de sensibilidade ao longo do tempo, apoiando decisões regulatórias, científicas e de manejo em campo. O baseline é construído a partir de métodos padronizados, múltiplas amostras e análises que determinam valores como o EC50, indicando a dose necessária para inibir 50% do crescimento do patógeno. A partir dessa referência, comparações futuras permitem identificar mudança da suscetibilidade populacional, sejam elas quantitativas (mudanças graduais) ou qualitativas (isolados claramente resistentes). Monitorar rotineiramente essas variações é fundamental para detectar precocemente a resistência, orientar o uso adequado de fungicidas e preservar sua eficácia. Baselines bem definidos fortalecem o manejo integrado, garantindo decisões seguras, sustentáveis e baseadas em evidências. Saiba mais sobre o manejo da resistência aos fungicidas em nosso site !

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