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- Modo de ação dos fungicidas
O modo de ação (MDA) descreve o processo celular específico afetado pelo fungicida. Sua ação ocorre por meio da interferência em funções essenciais para o desenvolvimento e a sobrevivência do patógeno, como respiração, divisão celular, síntese de proteínas e biossíntese de componentes celulares. Dentro de cada modo de ação existem sítios de ação, que correspondem aos alvos específicos onde o fungicida atua. Assim, fungicidas podem compartilhar o mesmo modo de ação e, ainda assim, atuar em sítios diferentes. Um exemplo são os fungicidas que inibem a respiração: os SDHI atuam no Complexo II, enquanto as estrobilurinas atuam no Complexo III. Compreendê-lo permite identificar como e onde os diferentes grupos de fungicidas interferem no metabolismo do patógeno e é a base para a classificação dos grupos FRAC. Esse conhecimento também orienta a escolha e a alternância de fungicidas com diferentes modos e sítios de ação, contribuindo para estratégias mais eficientes de manejo da resistência.
- Fungicidas Multissítio
Os fungicidas multissítio (códigos FRAC M01 a M12) apresentam atividade de contato e atuam simultaneamente em diferentes pontos do metabolismo dos fungos. Entre eles estão os Cúpricos, como hidróxido de cobre, oxicloreto de cobre e óxido cuproso, além de Clorotalonil e Mancozebe. Por apresentarem múltiplos sítios de ação, são considerados ferramentas de baixo risco para o desenvolvimento de resistência e têm papel estratégico nos programas de manejo de doenças. Na cultura da soja, o FRAC-BR recomenda que os multissítios estejam presentes nas aplicações de manejo, sempre associados a fungicidas sítio-específicos. Sua ação é predominantemente preventiva e o residual de controle depende da permanência do produto sobre os tecidos vegetais. Para garantir sua contribuição ao manejo, é fundamental respeitar doses, intervalos e demais recomendações dos fabricantes. Confira a classificação dos fungicidas!
- Ciclo da Ferrugem-asiática-da-soja
Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem-asiática é uma das principais doenças da cultura da soja e apresenta elevada capacidade de disseminação e multiplicação. Por ser um parasita obrigatório, o fungo depende de hospedeiros vivos para sobreviver e se reproduzir. O inóculo pode ser mantido em plantas de soja e outros hospedeiros, enquanto os urediniósporos são disseminados principalmente pelo vento, inclusive a longas distâncias. Ao atingirem folhas suscetíveis e encontrarem condições favoráveis, os urediniósporos germinam, penetram no tecido vegetal e iniciam a infecção. Posteriormente, as folhas infectadas desenvolvem lesões e urédias, que produzem novos urediniósporos e dão origem a sucessivos ciclos de infecção na lavoura. Temperatura, umidade e, especialmente, o período de molhamento foliar exercem forte influência nesse processo e podem favorecer o rápido desenvolvimento da epidemia.
- Eficiência dos fungicidas: entender para um manejo mais eficaz
O sucesso do controle de doenças não depende apenas da escolha do fungicida. O momento da aplicação é um dos principais fatores que determinam a sua eficiência. Os fungicidas podem atuar em diferentes fases do ciclo do patógeno: • Ação preventiva: atua antes da infecção, reduzindo a germinação, a penetração e o estabelecimento do patógeno nos tecidos da planta. • Ação curativa: pode atuar nas fases iniciais da infecção, apresentando eficácia reduzida à medida que a colonização do tecido avança. • Ação erradicante: no campo, nenhum fungicida é capaz de eliminar completamente o patógeno após o estabelecimento da doença. Aplicações realizadas após o estabelecimento da doença expõem populações maiores do patógeno aos fungicidas, aumentando a pressão de seleção e favorecendo o desenvolvimento de indivíduos menos sensíveis. Esse risco é ainda maior quando o manejo depende exclusivamente de fungicidas com sítio específico de ação. Por isso, estratégias preventivas são mais eficientes e sustentáveis, pois mantêm a população do patógeno em níveis mais baixos, preservam a eficácia dos fungicidas e contribuem para o manejo da resistência. O monitoramento da lavoura, o uso de ferramentas de previsão e o respeito à janela de aplicação são fundamentais para uma tomada de decisão mais assertiva no campo.
- Padrões de resistência aos fungicidas
A resistência aos fungicidas pode se desenvolver de diferentes formas, resultando em dois padrões principais: • Resistência qualitativa: causada por mutações pontuais no sítio de ação do fungicida, gerando altos níveis de resistência e grupos claramente distintos de isolados sensíveis e resistentes. • Resistência quantitativa: envolve múltiplos genes com efeitos parciais, levando a mudanças graduais na sensibilidade da população. A identificação do padrão de resistência é essencial para orientar estratégias de manejo, como a alternância de mecanismos de ação e a integração de diferentes práticas de controle, contribuindo para preservar a eficácia dos fungicidas e retardar a evolução da resistência. Saiba mais sobre manejo da resistência em nosso site!
- Empresas associadas ao FRAC-BR
O FRAC-BR conta com a participação de importantes empresas do setor de proteção de cultivos, envolvidas no desenvolvimento e na pesquisa de soluções para o controle de doenças. Entre os integrantes do comitê estão BASF, Bayer, Corteva, FMC, Ihara, Ourofino Agrociência, Oxiquímica Agrociência, Sipcam Nichino, Sumitomo, Syngenta e UPL. Essa contribuição é essencial para o avanço do conhecimento sobre resistência de patógenos a fungicidas, reunindo experiência técnica, geração de dados científicos e inovação tecnológica que apoiam o manejo sustentável nas lavouras. A atuação conjunta entre indústria, pesquisadores e especialistas fortalece a construção de recomendações técnicas e boas práticas, com o objetivo de preservar a eficiência das ferramentas de controle e contribuir para a produtividade agrícola. Conheça os membros e saiba mais sobre o trabalho do comitê em: frac-br.org/membros
- Códigos dos fungicidas
O Código MoA é um sistema de classificação que agrupa os fungicidas de acordo com seu modo bioquímico de ação nas vias de biossíntese dos fungos fitopatogênicos. Nesse sistema, letras diferentes (A a P, com números adicionados) identificam grupos de fungicidas conforme o processo metabólico em que atuam. A classificação contempla, por exemplo, produtos que interferem na síntese de ácidos nucleicos, na respiração celular, na síntese de melanina, além de indutores de defesa da planta hospedeira, moléculas com modo de ação ainda desconhecido e fungicidas multissítios. É importante destacar que o Código MoA é diferente do Código FRAC. Enquanto o Código MoA classifica os fungicidas pelo seu modo bioquímico de ação, o Código FRAC utiliza números e letras para agrupar os fungicidas de acordo com seu comportamento em relação à resistência cruzada, sendo esse o código utilizado nos rótulos dos produtos. Compreender esses códigos e suas respectivas aplicações é fundamental para a escolha e a rotação adequada de fungicidas, contribuindo para preservar a eficácia das tecnologias de controle.
- Recomendações para o manejo de doenças em soja: baixe gratuitamente no site do FRAC-BR!
O manejo de doenças na soja exige decisões técnicas baseadas em estratégia, conhecimento e responsabilidade. Para preservar a eficácia dos fungicidas e reduzir o risco de resistência, é fundamental integrar práticas culturais, escolha adequada de produtos, rotação de modos de ação e aplicações no momento adequado. O FRAC-BR disponibiliza recomendações específicas por cultura, com orientações para auxiliar o manejo em soja. O material reúne diretrizes sobre uso responsável de fungicidas e boas práticas de aplicação. O conteúdo está disponível para download gratuito e foi desenvolvido para apoiar produtores, consultores e profissionais do setor na tomada de decisão em campo. Acesse, baixe e fortaleça sua estratégia de manejo. O conhecimento é a base da produtividade!
- Manejo Integrado de Doenças
O Manejo Integrado de Doenças propõe a combinação estratégica de diferentes medidas de controle de doenças em plantações agrícolas. Essa abordagem é fundamental para retardar a evolução da resistência aos fungicidas. O uso de cultivares resistentes, agentes de controle biológico e práticas culturais, como rotação de culturas e eliminação de partes doentes de plantas perenes, reduz a incidência de doenças fúngicas e permite aplicações mais criteriosas de fungicidas, reduzindo a pressão de seleção de cepas resistentes. Igualmente, o uso adequado de fungicidas também contribui para reduzir o risco de desenvolvimento de patótipos com virulência alterada que possam comprometer variedades resistentes a doenças. Embora, para algumas doenças, o controle químico ainda seja predominante, a integração de estratégias é o caminho mais seguro, eficaz e sustentável. Conheça os princípios do manejo responsável e fortaleça suas decisões técnicas em nosso site.
- Grupos de Trabalho do FRAC-BR
O FRAC-BR atua por meio de Grupos de Trabalho dedicados a classes específicas de fungicidas, reunindo especialistas para atuar de forma coordenada em prol do manejo da resistência. Esses Grupos de Trabalho recomendam estratégias técnicas com o objetivo de prolongar a vida útil dos fungicidas e incentivar a adoção de boas práticas de manejo no campo. Entre suas principais atribuições estão: • Programas de monitoramento - compartilhamento de metodologias, estabelecimento de dados de referência e interpretação conjunta de resultados; • Pesquisa - definição das áreas de pesquisa básica e aplicada necessárias, contribuindo para orientar a direção, a metodologia e a divulgação dos resultados; • Programas educacionais - incentivo à publicação dos resultados e fornecimento de informações relevantes ao Comitê; • Verificação de relatórios sobre resistência, declarações, investigações e medidas corretivas; • Formulação das estratégias de uso - prevenção ou retardo da resistência e verificação da implementação dessas estratégias; • Monitoramento e orientação das atividades dos subgrupos nacionais e regionais. Conheça os Grupos de Trabalho do FRAC-BR!
- Manejo de restos culturais e impacto nas doenças
Após a colheita, resíduos da cultura permanecem no campo e podem desempenhar um papel importante no ciclo de várias doenças de plantas. Isso ocorre porque muitos fungos fitopatogênicos conseguem sobreviver nos restos culturais entre uma safra e outra, mantendo-se como fonte de inóculo para novas infecções. Quando as condições ambientais se tornam favoráveis, esses patógenos podem se desenvolver novamente e iniciar a infecção nas plantas da próxima safra, aumentando o risco de ocorrência de doenças. Estratégias como rotação de culturas, decomposição dos resíduos e planejamento do sistema produtivo podem ajudar a reduzir a quantidade de inóculo inicial no campo. A integração de práticas agronômicas contribui para lavouras mais equilibradas e para o manejo sustentável das doenças.
- Fungicidas biológicos
Os fungicidas biológicos são produtos de origem biológica, compostos por microrganismos, metabólitos ou extratos de plantas, classificados pelo FRAC no grupo BM. Esses produtos apresentam múltiplos modos de ação, contribuindo de forma importante para o manejo da resistência. Devem estar preferencialmente integrados aos programas de manejo de doenças, associados a fungicidas de sítio específico e multissítio. Essa integração amplia as estratégias de controle, reduz a pressão de seleção sobre os patógenos e contribui para a manutenção da eficiência dos fungicidas ao longo do tempo. Exemplos de fungicidas BM: Extrato de Swinglea glutinosa; Extrato de Melaleuca alternifolia; Óleos vegetais; Saccharomyces spp.; Bacillus spp.; Trichoderma spp.; Cinamaldeído; entre outros. Confira em nosso site a classificação dos fungicidas!
















