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- Fatores relacionados à epidemiologia da doença
O risco de desenvolvimento de resistência a fungicidas resulta da combinação entre fatores epidemiológicos, práticas de manejo e características genéticas dos patógenos. Entre os principais fatores associados ao risco do patógeno, destacam-se: • Ciclo de vida do patógeno: quanto menor o tempo de geração, maior a frequência de exposição ao fungicida e mais rápido o desenvolvimento de resistência. • Abundância de esporulação: quanto maior produção de esporos, maior a probabilidade de mutações e a seleção de indivíduos resistentes. • Disseminação dos esporos: a capacidade de dispersão dos esporos entre plantas, culturas e regiões acelera a propagação da resistência. • Capacidade de infecção: patógenos que infectam em diferentes estádios da cultura demandam aplicações repetidas de fungicidas. • Estágio sexual no ciclo de vida: pode favorecer ou limitar a recombinação genética associada à resistência. • Capacidade de adaptação genética e/ou metabólica: mutações, superexpressão gênica, variações genéticas, diploidia, estrutura gênica, efluxo de fungicidas e e destoxificação influenciam a adaptação do patógeno. Compreender esses fatores é essencial para avaliar o risco de resistência e definir estratégias eficazes de manejo. Para mais informações sobre o manejo da resistência aos fungicidas, confira nosso site!
- Ferrugem-asiática da soja
A ferrugem-asiática da soja é causada por Phakopsora pachyrhizi, fungo biotrófico que depende de células vivas do hospedeiro para se multiplicar. No Brasil, a doença foi detectada em 2001 e rapidamente se disseminou pelas regiões produtoras, favorecida pela dispersão de esporos pelo vento e pela presença contínua de plantas hospedeiras. O vazio sanitário da soja é uma medida fundamental para redução do patógeno na entressafra diminuir a fonte de inóculo para a safra seguinte. Os sintomas iniciam-se, geralmente, no terço inferior da planta, manifestando-se como pequenas pontuações escuras nas folhas, que evoluem para amarelecimento, desfolha precoce e redução no enchimento de grãos. A infecção depende de um período mínimo de seis horas de molhamento foliar e de temperaturas entre 15 °C e 25 °C. Chuvas frequentes associadas ao dossel fechado criam um microclima favorável ao desenvolvimento de epidemias.
- O que é resistência cruzada?
A resistência cruzada ocorre quando uma população de patógenos resistente a um fungicida também passa a apresentar resistência a outros fungicidas que possuem o mesmo modo de ação ou que são afetados pela mesma mutação gênica. Em geral, esse fenômeno ocorre porque esses fungicidas compartilham o mesmo sítio-alvo bioquímico ou atuam sobre o mesmo processo metabólico do patógeno. Assim, mesmo sendo moléculas diferentes, o mecanismo de ação é semelhante. Fungicidas de sítio específico, que atuam em um único alvo, apresentam maior risco de seleção de resistência. Por outro lado, fungicidas multissítio tendem a apresentar menor risco. Por isso, conhecer o modo de ação dos fungicidas é essencial para o manejo da resistência e para a preservação de sua eficácia. A principal estratégia de prevenção envolve a rotação de modos de ação e o uso de fungicidas multissítios. Acesse nosso site e confira a classificação dos fungicidas de acordo com o modo de ação e grupo químico!
- A classificação dos fungicidas
Você sabia que fungicidas diferentes agem de formas distintas no fungo? Esses modos de ação são essenciais para planejar estratégias de manejo de resistência. Alguns pontos importantes: • Dentro de cada modo de ação existem sítios-alvo específicos, como enzimas nas vias metabólicas fúngicas. • Já fungicidas com diferentes modos de ação podem ser usados em rotação ou mistura estratégica, o que ajuda a reduzir a pressão de seleção sobre uma única classe química. O FRAC-BR disponibiliza em seu site uma ferramenta essencial para o manejo da resistência: a classificação completa dos fungicidas. Nessa página, é possível consultar os modos de ação, entender como cada grupo químico atua no patógeno, possibilitando a identificação correta da categoria dos produtos utilizados no campo. Consulte a lista completa dos fungicidas e sua respectiva classificação no site do FRAC-BR e planeje seu programa de fungicidas de forma eficiente!
- Diversidade química
A disponibilidade de diferentes grupos químicos e mecanismos de ação para o controle de doenças em culturas é essencial para uma agricultura mais sustentável e eficiente, pois reduz a pressão de seleção exercida sobre o patógeno, diminuindo o risco de evolução da resistência. Por isso, a diversidade química é um dos pilares do manejo da resistência. A adoção de diferentes modos de ação, múltiplos sítios de atuação e a manutenção de variadas classes químicas ampliam as estratégias de controle e reduzem o risco de perda de eficiência ao longo do tempo, principalmente quando associada a diferentes ferramentas de controle. Preservar e ampliar a diversidade de fungicidas é fundamental para sustentar o controle das doenças fúngicas e garantir a produtividade em campo. FRAC-BR promovendo o uso responsável de fungicidas e o manejo da resistência.
- O estabelecimento da resistência em populações de patógenos
Quando um fungicida é aplicado, inicia-se um processo de seleção: os indivíduos sensíveis são eliminados, enquanto os mutantes resistentes têm maior chance de sobreviver e se multiplicar. Com aplicações repetidas, populações resistentes podem crescer até atingir níveis detectáveis, levando a falhas de controle. A resistência aos fungicidas é, por natureza, hereditária. Ela se estabelece a partir de alterações genéticas que já podem existir dentro da população do patógeno, mesmo antes de qualquer aplicação do fungicida no campo. Essas mutações espontâneas, normalmente não trazem vantagem e muitas vezes até reduzem a adaptação do indivíduo, permanecendo quase indetectáveis. Compreender esses mecanismos é essencial para avaliar riscos e definir estratégias de manejo eficazes.
- Risco de patógenos
De forma geral, o risco de um patógeno desenvolver resistência tende a ser maior quando: • Apresenta múltiplos ciclos curtos de doença por safra; • Possui alta dispersão de esporos no tempo e no espaço; • Depende de recombinação sexual obrigatória em seu ciclo; • Mantém alta capacidade competitiva, mesmo na ausência da pressão de fungicidas; • Desenvolve resistência em poucos anos de uso do produto. É importante destacar que a simples detecção de isolados com sensibilidade reduzida não caracteriza, por si só, um problema no controle fúngico em campo. O impacto real no desempenho do fungicida depende da frequência desses isolados ao longo do tempo e espaço. Por isso, o FRAC considera o risco patogênico médio a alto apenas quando a resistência é confirmada em situações comerciais para mais de uma classe fungicida. Compreender o risco associado a cada patógeno é essencial para definir estratégias eficazes de manejo da resistência. Veja a tabela com a classificação de risco combinado de resistência, baseada no risco inerente do fungicida e do patógeno. Em nosso site estão disponíveis diversos materiais técnicos sobre o tema. Confira !
- Manejo da resistência aos fungicidas: atenção à dose!
Manter a dosagem recomendada pelo fabricante é fundamental, pois: • Garante o desempenho esperado do fungicida em diferentes condições; • Preserva a margem de segurança da aplicação; • Reduz o risco de seleção de populações resistentes, especialmente aquelas com níveis iniciais de resistência que podem evoluir ao longo do tempo. Embora a relação entre dose e resistência possa variar conforme o fungicida e o patógeno, evidências teóricas e experimentais indicam que a redução de dose são práticas inadequadas que podem favorecer a sobrevivência de organismos resistentes, comprometendo a eficácia e vida útil da tecnologia. Sendo assim, a redução da dose de fungicidas não deve ser adotada. O uso responsável de fungicidas, respeitando dose, intervalo e recomendações técnicas, é um pilar essencial do manejo da resistência aos fungicidas. Siga as orientações de rótulo e bula! Saiba mais sobre o assunto em: frac-br.org
- Baseline: um pilar para o manejo da resistência aos fungicidas
O baseline descreve a sensibilidade de um grupo de isolados a um determinado fungicida ao qual eles não haviam sido previamente expostos. É um passo essencial para entender como uma população patogênica responde a novos ingredientes ativos. Esse processo técnico permite estabelecer parâmetros confiáveis para avaliar mudanças de sensibilidade ao longo do tempo, apoiando decisões regulatórias, científicas e de manejo em campo. O baseline é construído a partir de métodos padronizados, múltiplas amostras e análises que determinam valores como o EC50, indicando a dose necessária para inibir 50% do crescimento do patógeno. A partir dessa referência, comparações futuras permitem identificar mudança da suscetibilidade populacional, sejam elas quantitativas (mudanças graduais) ou qualitativas (isolados claramente resistentes). Monitorar rotineiramente essas variações é fundamental para detectar precocemente a resistência, orientar o uso adequado de fungicidas e preservar sua eficácia. Baselines bem definidos fortalecem o manejo integrado, garantindo decisões seguras, sustentáveis e baseadas em evidências. Saiba mais sobre o manejo da resistência aos fungicidas em nosso site !
- Por que é preciso conhecer os modos de ação?
Uma das principais estratégias do manejo da resistência é a rotação de fungicidas. Para que essa prática seja eficaz, o conhecimento do modo de ação dos produtos é fundamental. Por esse motivo, os rótulos apresentam informações sobre os modos de ação, auxiliando na escolha adequada do fungicida e incentivando a adoção das boas práticas no campo. Conhecer os modos de ação permite evitar o uso simultâneo de defensivos com o mesmo modo de ação para a mesma praga-alvo, rotacionar os grupos ao longo do ciclo da cultura, prevenindo aplicações consecutivas de produtos do mesmo grupo, além de reduzir a seleção de indivíduos resistentes. A adoção dessas práticas contribui para preservar a vida útil dos produtos e proteger a produtividade da lavoura. Para mais informações sobre o manejo da resistência aos fungicidas, confira nosso site .
- Fungicidas Inibidores da Quinona externa (IQe, "estrobilurinas")
Os fungicidas do grupo IQe (Grupo 11) atuam inibindo a produção de energia dos fitopatógenos ao bloquear a transferência de elétrons no local de ligação da Quinona externa (Qe) do complexo bc1 do citocromo. Por compartilharem o mesmo sítio-alvo, apresentam alta eficácia, mas também maior risco de seleção de resistência cruzada quando utilizados sem manejo adequado e sem a devida rotação entre modos de ação. Com amplo espectro, os IQes controlam patógenos como ascomicetos, basidiomicetos e oomicetos, sendo registrados para diversas culturas. Entretanto, casos de resistência foram detectados poucos anos após sua introdução, frequentemente relacionados à mutação G143A no gene do citocromo b, um alerta para a importância das boas práticas de uso. O Grupo de Trabalho IQe do FRAC-BR desenvolve estratégias para orientar o uso responsável desses fungicidas, incluindo recomendações sobre aplicações, misturas, limitações por cultura e diretrizes específicas para manejo da resistência. Acesse as orientações completas do FRAC-BR em nosso site: frac-br.org/fungicidas-qol
- Recomendações gerais para uso de fenilamidas em Cereais e Milho
As recomendações gerais para uso de produtos base fenilamida permanecem inalteradas desde 1997. As orientações chave (“guarda-chuva”) para uso do produto são as seguintes (elas devem ser adaptadas aos requisitos locais e níveis de resistência). Para tratamento de sementes, recomenda-se: • A fenilamida usada como tratamento da semente é considerada, no geral, menor risco de desenvolvimento de resistência; • Aplicações foliares ou de sulco de fenilamida contendo produtos na cultura anterior influenciam a situação da sensibilidade em vegetais; • Planejamento cuidadoso da rotação de culturas e respectivo uso de fenilamida durante a estação são recomendados para reduzir a pressão de seleção na população Pythium spp. no solo; • Para tratamento da semente, deve-se usar misturas em vez de fenilamidas isoladamente sempre que possível; • As fenilamidas não devem ser usadas como tratamento de sulco para tratamento de doenças foliares. Quando formulações individuais são disponibilizadas para uso no solo, estratégias para evitar qualquer aplicação foliar devem ser implantadas. Para mais informações, confira nosso site !
















